Acordo Ortográfico, Acentos Diferenciais e Crase

Não é de hoje que regras de acentuação vêm tirando o sono de muitos estudantes, ou daqueles que precisam fazer um bom uso da Língua Portuguesa, mas simplesmente não conseguem aprender algumas regras que regem a grafia de certas palavras. Atualmente os acentos que diferenciam “tem” (singular) de “têm” (plural), “vem” (singular) de “vêm” (plural), por exemplo, e o acento grave, ou crase, são, em minha percepção, os casos mais críticos.

Recentemente foi bastante noticiado nos meios de comunicação um acordo internacional visando unificar a grafia da Língua Portuguesa em diversos países — Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal —, sendo que as duas grafias “oficiais” são a Portuguesa e a Brasileira.

Entre outras mudanças, como a inclusão oficial das letras K, Y e W no alfabeto e a abolição do acento agudo em ditongos abertos em “ei” e “oi” (palavras como idéia, assembléia e mocréia).

Além disso, há uma série de palavras que continuarão com duas grafias, obrigando edições em diferentes países a diferentes revisões, e conseqüentemente não resolvendo o principal “problema” que o dito acordo pretendia resolver. Exemplos dessas palavras:

  • académico/acadêmico;

  • anatómico/anatômico;

  • cénico/cênico;

  • cómodo/cômodo;

  • fenómeno/fenômeno;

  • género/gênero;

  • topónimo/topônimo;

  • Amazónia/Amazônia;

  • António/Antônio;

  • blasfémia/blasfêmia;

  • fémea/fêmea;

  • gémeo/gêmeo;

  • génio/gênio;

  • ténue/tênue.

Outras regras notáveis trazidas pelo tal acordo são a supressão do trema (quero ver as salsinhas saberem o que é redarguir, sem trema — com ele já é difícil) e a supressão de algumas consoantes mudas como em “actor”.

Especificamente sobre os verbos, o que muda é que a terceira pessoa do plural de alguns como “crer”, “dar” e “ver” deixam de ter o acento circunflexo, ficando, respectivamente, “creem”, “deem”, “veem”. Não achei nenhuma informação dando conta de que verbos como “ter” e “vir” passem a ter suprimido o acento circunflexo da terceira pessoa do plural. Mas “para” (preposição) e “pára” (verbo) passarão a ter a mesma grafia, algo tão absurdo quanto a supressão do trema, em minha opinião.

E uma coisa é certa: a crase não será suprimida do idioma, para desespero de quem não sabe a diferença entre preposição e artigo, para poder entender que o “a” craseado é a fusão de uma proposição com um artigo. Durante mais algum tempo seremos obrigados a ver deslizes como “atendimento à domicílio”, em que o a craseado é mais inadequado e inconveniente do que amante na primeira fila da igreja na noite do casamento.

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