Eu me "aposentando" das redes sociais
Os amiguinhos mais atentos já devem ter percebido que faz um longo tempo (uns dois anos) que uso o Twitter extremamente pouco, e que ultimamente (coisa de duas semanas, talvez três) tenho utilizado o Facebook também cada vez menos.
Sem rodeios, a razão é simples: estou cuidando de minha saúde mental.
Infelizmente as redes sociais têm se tornado cada vez mais desagradáveis, e vêm permitindo que as pessoas descubram o quão repugnantes podem ser as pessoas que elas amam, ou pelas quais tenham algum tipo de admiração. Eu mesmo tive a desdita de descobrir que amigos e parentes com quem me criei e por quem sempre nutri afeto cultivam valores e comportamentos totalmente incompatíveis com os meus, dos quais destaco:
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“Bandido bom é bandido morto.”
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Acreditar que o Jean Willys quer destruir a família e tirá-lo para inimigo.
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Papagaiar que bom era no tempo da ditadura.
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Descambar qualquer comentário para “a culpa é do PT.”
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“Daqui a pouco vai ser obrigatório casar com alguém do mesmo sexo.”
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“Mulher que se veste desse jeito está pedindo pra ser estuprada.”
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Ser favorável à redução da maioridade penal, como se o hiperencarceramento fosse a solução mágica para a vida, o universo e tudo mais.
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“Direitos humanos para humanos direitos.”
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Achar que mulheres bem sucedidas estão “dando pro cara certo.”
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Achar que garantir os direitos das minorias é promover privilégios a elas.
São apenas exemplos, e qualquer um sabe que essa lista mal dá a entender o tamanho do desgosto.
Enfim, não aguento mais ser exposto a tanta gente especialista em tudo (mas que não sabe a diferença entre “mas” e “mais,” que escreve e fala “menas” sem ser de tiração de onda) incapaz de um gesto de empatia por outra pessoa.
A gota d’água que fez a represa transbordar, o ácaro que fez o camelo quebrar a espinha, foram comentários sobre um episódio de linchamento (em Bangladesh, mas não importa) de um menino de dez anos acusado do roubo de uma bicicleta, gerando comentários apoiando a atitude dos assassinos, sob a justificativa de que ladrão bom é ladrão morto. Não que faça diferença, mas o guri nem era ladrão, não tinha roubado magrela nenhuma.
Então, estou fazendo um “detox” de redes sociais, das quais não me afasto totalmente porque elas ainda são importantes para divulgar meu trabalho, para conversar com pessoas que amo e cujos discurso e atitude me enriquecem como ser humano em vez de me fazer sentir ódio, e para aprender com pessoas que se dispõem a partilhar seu conhecimento, seja lá em que área for.
Então, se eu não responder àquele comentário ou post em que fui marcado, ou se não responder uma mensagem no chat do Facebook, não me leve mal: estou apenas cuidando da higiene da minha mente, afinal nem só de banho vive uma pessoa asseada.
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